Entre Elas

Jejum de redes sociais, certo ou errado?

É fato que o mundo digital está presente em nossa rotina bem mais do que realmente precisamos. Os celulares saíram da categoria de simples eletrônicos, para indispensáveis a convivência em sociedade.

Uma pesquisa da ComScore, mostrou que os brasileiros ocupam a primeira posição em horas conectadas, totalizando 650 horas por mês. Em um cálculo básico, quer dizer que de 720 horas totais de um mês, 650 horas estamos conectados à internet, sobrando apenas 70 horas “desconectadas”.

Por que as redes sociais chamam tanta atenção e nos distraem facilmente?  Até que ponto sua utilização pode ser maléfica ou benéfica para a nossa saúde física e espiritual?

O “fugir” da realidade para “viver” em um mundo virtual alcança todas as idades e posições sociais. Psicólogos e psiquiatras preveem novos casos de dependência, ansiedade, depressão e transtornos relacionados ao comportamento devido ao uso excessivo do celular e redes sociais, principalmente para as crianças e adolescentes. A fantasia da vida perfeita, das fotos e filtros que distanciam do real confundem a mente humana a ponto de querer viver apenas a “realidade” virtual, causando isolamento, distanciamento das relações sociais, podendo chegar a casos mais preocupantes, como o suicídio.

Como podemos detectar uma relação de dependência ao mundo virtual?

Responda as perguntas deste teste rápido, ressaltando que qualquer diagnóstico comportamental deve ser dado e direcionado por um profissional qualificado para cuidar da sua saúde física e mental.

Enquanto isso, descubra se você pode ou não ser uma pessoa viciada em redes sociais.

  1. As redes sociais têm te afastado do que você mais gosta de fazer?
  2. Você não sente mais desejo por hábitos simples, como ver os amigos, ir à igreja, ler, cantar, ir ao shopping etc e quando os têm é para expor nas redes o quão legal, despojado e interessante é?
  3. As redes sociais têm prejudicado sua comunhão com Deus e seu relacionamento familiar?

Há muitos status publicados na internet com as seguintes atividades: “lendo a bíblia”, “look do culto”, “adorando a Deus” e várias outras formas que com certeza você já fez ou viu alguém fazer. Não estamos questionando a veracidade do ato de adoração, mas você não acha que pode estar condicionando sua adoração a publicações sentimentalistas tentando mostrar às pessoas o quão espiritual você é ou em troca de aceitação por meio de likes e compartilhamentos?

Analise o seguinte, se você estivesse vivendo um momento muito ruim em sua vida  faria uma selfie e publicaria nas redes sociais com uma legenda real ou a primeira coisa que viria à sua mente é “o que as pessoas vão achar me vendo assim? ”

Existem casos em que os devocionais servem para motivar outras pessoas a servirem a Deus, e não há erro nisso. O que deve ser levado em consideração é a intenção real que está por trás dessa publicação.

Como você se sente ao acessar as redes sociais e se deparar com as exposições da vida “perfeita” que só existe por lá? Depois vem um sentimento de atraso, fracasso, inferioridade e de que sua vida não está tão legal quanto a de quem você acompanha? Caso sim, você já está vivendo a síndrome da comparação, geralmente interligada ao complexo de inferioridade e ansiedade.

Muitas pessoas têm escolhido viver uma vida de aparência, de filtros, de exibicionismo excessivo a fim de esconder suas frustrações e angústias. Não podemos generalizar, mas você costuma ver as pessoas postando os momentos tristes que vivem? A comida não tão elaborada do dia? A roupas não tão estilosas? O dia difícil que tiveram? A conversa que não fluiu como desejado? As crises familiares, financeiras e pessoais?

Não condeno as redes sociais, mas devemos ter sabedoria ao utilizá-las. Não se pode abandonar o real e viver o virtual como se fôssemos um avatar de videogame. Há uma vida, família, sonhos, saúde, amigos e o mais importante, há um Deus esperando por nós. Ele não está nas redes sociais, Ele está dentro de você, em seu coração, na sua vida, na história que você carrega com suas alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas. Ele é real, e importa que você esteja diante dEle na realidade da sua vida e do seu ser. Sem filtros, sem aparências montadas, mas com um coração quebrantado e derramado diante dele, onde haverá só ele e você, ninguém mais, sem expectadores.

Estaremos no secreto de Deus, onde não terá likes, compartilhamentos e comentários. Longe de holofotes virtuais, de interpretações equivocadas a seu respeito, de opiniões infundadas, de poses montadas com o melhor ângulo ou filtro, mais um secreto repleto da maior alegria que podemos ter, a presença de Deus.

Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás. (Salmos 51:17)

E se para isso for necessário que você se afaste um pouco? Não o veja como uma privação, veja como um momento que você escolheu para ficar mais perto de Deus e da realidade que Ele te presenteou, sua família, amigos e a si mesmo. E quando tudo estiver bem, use as redes sociais com sabedoria e disciplina para engrandecer o nome do Senhor e alcançar outras vidas para o reino. Ele te dará as estratégias certas.

Mais do que exposições, Cristo quer que sejamos o que Ele pensou para nós, a ponto de tudo glorificar o Seu nome, inclusive em nossas redes sociais.

 

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